quando o sino tocar


O sino toca em pedido. A cada soar escutado no parque é mais alguém que clama por paz. Espalhados pelo parque, alguns sobreviventes se dispõem a contar a história por outros olhos. As fotos de familiares que estavam no lugar errado em certa hora, partem o coração em relação à humanidade. Mas o parque em Hiroshima é mesmo pra dizer que nossas mãos não estão atadas, que não dá pra se isentar de nada que nos rodeia, mesmo quando a gente formula as mais complexas teorias. Que é distante e superficial nos colocarmos no pedestal de juízes. Que as grandes atitudes vem das pequenas, que em cadeia vão fazendo cair aos poucos e deixando rombos cada vez maiores. Nossa conexão global está nas consequências de cada atitude. Meu desejo de fim de ano é então que a gente possa se observar mais, e mudar de verdade. Pelas atrocidades, pela fome, pela desigualdade, pelo aquecimento global, pelas questões humanitárias e políticas, e também pelas dificuldades e sofrimentos individuais. Que a gente possa ter e ficar mais em silêncio, pra que mais sutilezas cheguem à superfície, mas que haja música, dança, barulho de gargalhada e também sabedoria pra promover e levantar conversas que façam evoluir. Que a gente descubra os personagens de dentro da gente. Que a gente cuide do outro, e que a compaixão floresça, sem esquecer do lado de dentro também! Que a gente não leve as situacões pro lado pessoal. Que se apegue menos, então, e relaxe mais, descanse a vista até onde a vista alcança, pra que ela alcance mais. Que a gente seja menos magoado, birrento e ressentido, e que haja mais clareza, liberdade, fluidez, lucidez, generosidade, diversão e alegria, de coração.

Posts Recentes

Arquivo

Casamentos e presentes especiais feitos à mão