Onde fica sua casa?


(leia ouvindo essa música)

Eu não lembro do tapete, mas era ele que me fazia dançar. É que o desenho dele era apenas marcação de um passo seguido de outro, um equilíbrio bonito e simples que se formava numa dança inventada de um universo infantil e quase intacto. A música só existia do lado de dentro, e era também de lá que vinha a vontade incansável do movimento. Giro e leveza que me proporcionavam alegria. Movimento de dentro pra fora e fora pra dentro.

Naquele tempo, éramos um só, tapete e eu.

Já ali no meio do caminho de Santiago, eu lembrei que tinha parado de dançar. Confesso que fiquei bem surpresa de não ter me dado conta antes. Dançar era uma das minha primeiras lembranças de infância, como eu tinha deixado isso pra trás?

Nesse dia tudo começou a fazer mais sentido,

a felicidade era natural e simples, por que eu dancei.

O caminho virou pista de dança.

(Esse texto surgiu de uma daquelas conversas longas e sem pressa, sobre deixar hábitos "bobos" pra trás. Dançar, nadar, cantar, desenhar, correr, meditar. As crianças tem desejos mais latentes e nos mostram muito da nossa essência, do que nos faz bem de verdade e principalmente, nos conecta com a nossa verdade. E ai, que desperta sua conexão? Onde fica sua casa?)

Um beijo e boa volta,

Sil

imagem: favin

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