O caminho de volta


(leia ouvindo essa música)

Eu caminhava solitária pela paisagem seca. Devia estar por volta dos 25 quilômetros daquele dia. Duvidava da minha decisão de estar ali, duvidava da direção que eu tinha escolhido. Ninguém aparecia, pessoas ou animais. Eu quis estar sozinha e ali eu estava. Minha companhia era o sol, que insistia em brilhar no céu até chegar ainda forte em minha cabeça. A água que eu carregava já passava do estado morno. Meus pensamentos judiavam ainda mais do meu corpo cansado, insistindo em entrar em rodas infinitas de auto crítica. Naquele momento, eu não gostava de mim.

Quando, finalmente, eu cheguei no meu destino final daquele dia e me recompus com comida, água e banho, resolvi escrever alguns postais. (Há uns dias eu tinha me oferecido nas redes sociais a enviar abraços em forma de postal e recebi muitas respostas, de amigos e também pessoas que nunca vi pessoalmente.)

Nesse momento senti que alguma coisa estava mudando. Não era o postal, especificamente, não era escrever. Aquela proposta do abraço era carregado de afeto. Me dei conta de que por mais pra baixo que eu estava naquele momento, eu ainda assim tinha amor e carinho. Afinal, tinha amor naquelas palavras e eram dedicadas a alguém.

Por mais que eu achasse que estivesse me “faltando” amor, naquele momento eu percebi que não. Nossa fonte é infinita e simples de acessar.

Escrevo isso pra que eu me lembre, pra que eu te lembre e que você lembre o outro também. Ela sempre estará lá: compassiva, forte e brilhante.

Temos muitos obstáculos na vida, nós mesmos, o outro, o ambiente onde vivemos. Não é simples. Mas por menor que seja a ação, estamos construindo futuro. Pensando nisso, te pergunto, qual mundo você está ajudando a construir?

Que a cada palavra ou atitude, a gente possa promover a evolução, o amor, a gentileza, a tolerância, o abraço, o sorriso.

Somos amor, Sil

Ps: Pra quem chegou agora, e não entendeu nada, eu fiz o Caminho de Santiago.

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