Abridor de amanhecer

Ouça a música que eu escolhi pra você(e assista o clipe)

"Guarda num velho baú seus instrumentos de trabalho

1 abridor de amanhecer

1 prego que farfalha

1 encolhedor de rios

1 esticador de horizontes"

Manuel de Barros

Ontem eu estava enxergando assim:

Foi uma simples visita de rotina ao oftalmo, mas que me rendeu algumas reflexões importantes. O mais curioso foi que no dia anterior eu tinha ido ao“Diálogo no Escuro”, uma experiência toda no escuro, guiada por um deficiente visual. (se você mora em São Paulo ou no Rio, vá! A temporada foi estendida.)

O que de início parecia uma descoberta de sentidos até divertida, começou a se aprofundar. Eu já tinha pensado sobre isso, mas viver é algo completamente diferente, né? Me fez “ver” como estou presa a uma conexão meramente visual. Ontem, tudo o que eu pensava em fazer dependia do meu olho, os outros sentidos eram quase secundários.

Mas e aí, será que a realidade é mesmo exatamente o que eu vejo? Tem um vídeo aqui da Casa do Saber bem interessante sobre a "visão" (olha ela mais uma vez) da ciência.

Foi quando comecei a pensar: o que é mesmo ser livre? Se por um lado, pra um deficiente visual, a mobilidade pode ser bem complicada (na cidade de São Paulo há 5 semáforos sonoros e apenas 2 funcionam!!), a dança pode ser algo muito mais libertador, sem comparações ou críticas limitantes internas.

Ser livre tem sido um questionamento real, sobre o quanto a gente se priva dela (consciente ou inconscientemente), e como isso pode se transformar e nos transformar. Até que ponto nossas construções mentais não viram uma jaula que a gente se coloca dentro, que não nos permitem viver algo mais amplo? Agendas, metas, opiniões, gostos, vergonhas, julgamentos, pré-concepções, comportamentos, permissões pro outro e pra mim.

Não me prenda. Não te prenda. Uma pessoa é um universo inteiro. Quem está sempre ao seu lado, inclusive. E você também. Um beijo e que nosso horizonte se estique, Sil

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