'que a vida te receba com amor'
do livro “presentes de viagem são pessoas”,

disponível na loja

Em tudo que faço, procuro:

criatividade,

universo lúdico e leveza

Na prática, isso significa:

uma experiência projetada a partir de reflexões poéticas, sinestésicas e interativas, enviadas em papel, todo mês. textos, imagens e exercícios para ativar a criatividade e outros olhares,

soltar a mão e o coração.

remo para rumos

a partir de um financiamento coletivo bem sucedido, em 2015 dei vida à planner pra quem tem asas e muita vontade de tirar do papel os planos infalíveis pra dominar o mundo. todo o design e conteúdo foram manualmente feitos por mim.

encomendas especiais

paredes, ilustrações, roupas, presentes especiais

e outras ideias mirabolantes

Pra você se inspirar, separei alguns dos mais legais: coloquei aqui um presente especial e aqui quando fiz um live painting. Essa e essa são duas paredes que pintei e gosto muito. Aqui e aqui foi quando pintei em corpos e fiz minha primeira exposição. Aqui quando inventei uma experiência interativa. Pra ver o figurino de um bloco de carnaval, vem  e acoláEssa foi a capa de uma super heroína, essa é uma roupa que eu remontei e aqui tem meu TCC sobre a cura de nós. 

é sempre um som muito bonito e único a música que resulta de uma risada na outra. impreterivelmente, encaixe.

com a pandemia e o isolamento social, resolvi hackear meu processo criativo de criar presentes especiais, pra quem também quiser inventar experiências de demonstrações de toque e afeto, de longe. é só clicar no título pra baixar, gratuitamente

experiência interativa

sinestesia como palco para ativar uma conexão interna mais profunda entre as pessoas que participavam da trilha, dialogando sobre a busca por novos caminhos na vida.

quem fez o vídeo foi a Maythê Coelho

EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL

Tenho medo. Todas temos. Vivemos com medo.
Tenho medo, aliás, enquanto escrevo esse texto.
Mas palavra parada corrói.

Comigo foi assim, deixei palavra parada.
Palavra essa que vivia em posição de susto constante e não conseguia reagir.

A palavra não saía, e eu chorava, sufocada por gritos que vinham de fora. No chuveiro, na chuva, no ônibus.
O medo escondia a palavra.

Me encolhi em mim mesma. Perdi minha luz e meu farol. Fiquei rendida. Duvidei de mim. Tive medo de ser eu mesma, tomava cuidado com as palavras, quem tocava, cumprimentava, falava, abraçava ou mantinha minimamente por perto. Cuidado com assuntos, com as minhas lembranças e com o meu passado. Tinha medo do corpo inflado que me prendia num canto escuro da rua.
E a palavra não saía.
Presa na própria pele, já estava amortecida. Morta por proteção. Era preciso preservar o que ainda restava lá dentro.

Mas palavra parada corrói, lembra? E corroeu a pele que estava morta. Me descobriu.
A palavra era não.

 

Depois outras apareceram. Elas precisavam ser vistas pra
 

serem livres. As peles foram se descolando conforme mais palavras brotavam. Descobertas em processo instintivo, as palavras são escritas no corpo nu, levadas sempre por uma música. Elas brotaram pra superfície e registrei no tecido molhado. Viram peles suspensas. Quase expostas como matadouro.

Uso meu vestido de noiva como símbolo de uma das instituições que ainda mantém as mulheres presas, apesar da superfície não aparentar. Seguindo a tradição de colocar os nomes na barra do vestido como pedido pra que as amigas também se casem, dessa vez, é agradecimento. Todas as mulheres que de alguma forma me apoiaram, estão ali nomeadas. Todas estão representadas. E o pedido, agora, é pela liberdade.

Surge a exposição, que é sobre descobrir-se inteira, mesmo depois de ter sido quebrada em pedacinhos, num silêncio violento. Uso a pele, e o corpo como memória, pra dizer o que sinto, em processo de cura. Pra mim e pra tantas outras que passaram e passam pela mesma situação. É sobre ser mulher. Sobre o quanto do outro fica em nossos corpos e o quanto deixamos. Sobre ocupar-se, do próprio espaço, e da própria potência. Pele, contorno, limite.

É sobre movimentar-se, partir, rasgar, costurar e ainda assim, manter-se inteira.

Que todas sejam livres.

Casamentos e presentes especiais feitos à mão